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Terça-feira, Maio 01, 2007 

Uma lolita

O rosto lúbrico de Jimmy Mason enrolando os lábios em redor da língua de Shakespeare, olhar saltando entre a mãe e Lolita, presente e futuro num loop de segundos - e a arma, atrás, sobre a cabeça, pousada sobre a mesa. O olho de Kubrick espreitava de um buraco qualquer no passado. E Nabokov ria-se com a seriedade da coisa. Professor Humbert, relatando a sua queda a partir de uma notícia sensacionalista de jornal, resignara-se à amargura de ter perdido tudo. Lolita. Lola. Como a Lola de Jarmush, Lolita diminuta convidando Bill Murray para a dança burlesca. Uma casa perdida nos subúrbios. Jardins e jardins repetindo-se em perfeita harmonia, vivendas brancas a perder de vista, os vícios privados embalados pela doce canção do dinheiro. Deus abençoe a classe média. Uma visita aos pobres de espírito. Mason apaixonado pelas vidas dos simples, terna Lolita perdida nos olhos do professor Humbert. Kubrick espreitando para a vida privada, escapelizando as emoções até restar apenas o osso. Desprovido de sangue, implacável. Aquela imagem entre presente e futuro, a câmara dançando sobre a indecisão de Humbert, um lapso momentâneo da emoção.

[Sérgio Lavos]

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