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Terça-feira, Maio 01, 2007 

Off

Na minha pior fase Mexia nunca poderia escrever: dar sempre o pior do meu melhor. Não sei qual o pior do meu melhor porque não sei qual o meu melhor. Apenas sei que a constância do meu pior é comparável à uniformidade do meu melhor. Eu explico: nunca farei psicanálise porque o conceito, à partida, está errado. Nunca serei capaz de analisar concretamente e de maneira fria qual dos meus defeitos menos se assemelha a uma qualidade e qual das minhas qualidades é mais unanimemente considerada defeito. Falar dos meus problemas entedia-me. Pior, falar dos meus problemas esvazia-os de qualquer gravidade que possam ter. Rio-me dos meus problemas. Na cara deles. Se não levo a sério os meus problemas, nunca poderei saber ao certo qual o meu pior, qual o meu melhor. Traço contínuo. Linha plana. Como uma máquina de hospital depois do fim. Pensando bem, a imagem não podia estar mais correcta - e ser mais idiota: a rectidão dos meus estados de espírito é tão chata como uma vida recém perdida. Off-line. O melhor do meu pior é quase sempre inofensivo. Provavelmente, nem problemas a sério terei. Sonhos, apenas.

[Sérgio Lavos]

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