03/04/09

Conversa sobre o tempo

Esta espécie de Inverno dos últimos dias acentua a estranheza de, em Fevereiro, ter ido à praia em preparos quase veraneantes - escrevo quase, por receio da bizarria da situação. As alterações climáticas, um dos mitos fundadores do nosso tempo, nem sempre seguem uma linha sem sobressaltos - o aquecimento global é uma realidade entrecortada por uma ou outra frente polar, inundações extemporâneas e muitos dias de frio inusitado. Mas a verdade é que, de ano para ano, admito a chegada do calor mais cedo. Recordo um dia de Março em que me vesti de manga curta e fui passear para os jardins da Gulbenkian, cheios de gente que esperava há muito um pretexto para faltar às aulas. Muitos anos depois, ao enfrentar o dia de hoje, mais quente do que tem estado, talvez seja tempo de aceitar a variabilidade dentro de certos limites, ciclos que se repetem, padrões que mudam ligeiramente mas que evidenciam o número de vezes que já aconteceram.
A banalidade da conversa sobre o tempo esmorece o meu entusiamo. O espírito precisa de muito pouco para ganhar cores, elevar-se; e chega esta razão para falar disso. Ou então sair à rua e aproveitar a irreversibilidade do ritmo das estações - sem qualquer flutuação ou dela dependendo; não importa.

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