Nós sabemos –
o futuro
não é um caminho
ao qual voltamos diariamente,
é uma curva de que apenas
divisamos o suave declinar,
e por ela avançamos descobrindo
a cada passo o espaço
que vamos percorrer de seguida.
Nós sabemos.
Mas houve outras curvas
que dobrámos antes,
e acreditamos na memória
e nas palavras dos antigos,
nos livros que registaram
os tempos que outros viveram
antes de nós.
E os antigos
dizem: está a acontecer,
neste movimento lento do ponteiro,
o que está a destruir o mundo
e as coisas como sempre as conhecemos,
está a acontecer agora,
e escrevendo no presente
deixaremos um rasto
que será lido no futuro.
E os antigos
gritam: não repitam
o que agora estamos a viver,
permitam que o caminho
se desdobre em múltiplas vias,
que não haja quem as encubra
com névoas, amarras e mordaças,
não deixem que a mentira
alastre, com seus tentáculos apodrecidos,
por toda a vida,
todo o amor,
toda a alegria.
Os antigos
gritam
da entrada da caverna
e os seus gritos
não chegam
não chegam até nós.
Olhamos para sombras
projetadas no ecrã
e acreditamos nelas,
não as podemos dissipar
nem as afastar, o desenho do destino
foi escrito a tinta permanente.
O futuro
afinal
não é um caminho desconhecido:
é uma bifurcação onde voltamos,
um retorno que se repete
até à destruição do mundo.
Esperemos que haja ainda tempo
para construir novas cidades
com as pedras das próximas ruínas.
não é um caminho
ao qual voltamos diariamente,
é uma curva de que apenas
divisamos o suave declinar,
e por ela avançamos descobrindo
a cada passo o espaço
que vamos percorrer de seguida.
Mas houve outras curvas
que dobrámos antes,
e acreditamos na memória
e nas palavras dos antigos,
nos livros que registaram
os tempos que outros viveram
antes de nós.
neste movimento lento do ponteiro,
o que está a destruir o mundo
e as coisas como sempre as conhecemos,
está a acontecer agora,
e escrevendo no presente
deixaremos um rasto
que será lido no futuro.
o que agora estamos a viver,
permitam que o caminho
se desdobre em múltiplas vias,
que não haja quem as encubra
com névoas, amarras e mordaças,
não deixem que a mentira
alastre, com seus tentáculos apodrecidos,
por toda a vida,
todo o amor,
toda a alegria.
da entrada da caverna
e os seus gritos
não chegam
não chegam até nós.
Olhamos para sombras
projetadas no ecrã
e acreditamos nelas,
não as podemos dissipar
nem as afastar, o desenho do destino
foi escrito a tinta permanente.
não é um caminho desconhecido:
é uma bifurcação onde voltamos,
um retorno que se repete
até à destruição do mundo.
Esperemos que haja ainda tempo
para construir novas cidades
com as pedras das próximas ruínas.
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