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26/07/09

O pseudo choque das civilizações

Alguém sabe o que é a Chiado editora? Que livros publicaram eles, que novidades trouxeram ao mercado editorial português, quem terão contratado para o seu catálogo, que prémios os seus autores terão recebido? Terão construído um nome, criado um público fiel, fidelizado os livreiros? Quantos livros venderam no último ano? É apenas isso que precisamos de saber, antes de comentar o fantástico (?) golpe publicitário que envolve a hipotética edição de um livro eventualmente ofensivo para a OLP, ou lá o que é. Fantástico, porque, para além de meia dúzia de blogues e alguns jornalistas contratados dos jornais nacionais, no one gives a flying fuck sobre a Chiado editora e o livro sobre Arafat escrito por André Ventura. Já entrámos na silly season, não foi? É isso, não é? Confessem!

13/07/08

A senhora de branco

E claro, Margarida Rebelo Pinto, que eu não conheço pessoalmente e contra a qual nada tenho contra, foi capa do terceiro número pós-remodelação da revista Ler. Belo tom de branco no branco, eis a literatura no seu esplendor. Uma provocação, claro, uma provocação depois de Saramago e Lobo Antunes: um livro é um livro é um livro. Será? Pois é que é. Um livro tem capa, folhas de papel, letras impressas; uma revista de livros serve, antes de mais, para divulgar o que se vai publicando. E que Carmo e que Trindade caíram, com a bela senhora de branco na capa? A do bom gosto, arriscamos? Não se duvide. Mas o bom gosto, lá está, não se deve circunscrever ao círculo habitual da academia e da crítica amanuense dos jornais; o bom gosto dos leitores - os queixos batem de pasmo ao verem exposta nas mesas das livrarias a senhora e a capa respectiva. É claro que se ouviram comentários em surdina: veja-se lá, bastaram dois números para a pouca vergonha vir ao de cima. No fundo, o moralismo não é um privilégio do burguês; existe por aí muito proletário que se tinge de vergonha quando uma ponta do lixo editorial é destapada, nem que seja brevemente. Convenhamos: a provocação, ainda que quanto ao caso cada um saiba de si e melhor é que falem mal do que não falem, etc. e tal, a provocação vale o que vale: semanas, um mês, críticas no Expresso e no Público, a galhofa momentânea do intelectual, alguma pena à mistura (a senhora teve um problema de saúde) e a decadência progressiva no gráfico das vendas (não há marketing editorial que a salve).
A literatura, alva e leve como uma manhã no campo; nem o Tide pode lavar tal mancha.

[Sérgio Lavos]

10/10/07

Problema de expressão

De certeza que não há qualquer ligação: mas não é que José Rodrigues dos Santos, que anda num queixa-não queixa, sofre-não sofre pressões do governo na sua (primeira) profissão, e apareceu em dois dias seguidos nos dois principais jornais nacionais, vai lançar ainda este mês o seu próximo (e bombástico) best-seller? Não lhe chega aparecer todos os dias nos ecrãs de televisão? Afinal, o que tem ele a dizer que não se saiba já?

[Sérgio Lavos]