25/02/26

David Lynch goes for a walk

Talvez os anos sejam uma coisa
diferente de vapor num espelho.
Talvez os passos percorridos
de regresso ao corredor
onde encontrámos o homem
que nos levou à cabana no bosque
onde o mundo nasceu
sejam reversíveis, como uma cortina
de que apenas se conhece o outro lado.
Talvez o tempo hoje seja terno,
as nuvens breves, o sol macio e claro.
 
Do outro lado da estrada, não há monstros.
Do outro lado da casa, o amor aguarda.
 
O tempo é justo,
vive em todas as manchas, nódulos e sombras
da pele.
No corredor
o fumo vai entrando, trazendo
fantasmas e demónios pela mão,
como quem leva os filhos à escola.
Dançamos contra o tempo,
sozinhos na sala
onde os sonhos são forjados.
 
Talvez um dia encontre David
e fume um cigarro com ele.

Sem comentários: