28/01/08

Turistas e viajantes

O turista julga entender a alma do lugar que visita por alguns dias apenas, o viajante sabe que nunca conseguirá compreender o que sente um povo. Nascemos com a nossa terra no sangue, e nem que passemos anos fora perderemos essa marca de nascença.
Podemos fingir, cedendo um pouco à ilusão de conhecer. Em Barcelona, passeando entre "tourist spots" apinhados de gente com máquinas numa mão - digitais, que se perdeu para sempre a imagem do turista japonês de Nikon ao pescoço - e guia na outra, deparo com um breve (e ilusório) lapso da vida de quem pertence àquele lugar. Num parque com rampas para skaters, entalado entre prédios de cimento pouco típico e muito proletário, destaca-se um grupo, dois adolescentes e um homem mais velho. De início, não reconheço o objecto que o mais velho traz nas mãos. Dispõem-se em campo, o mais velho e um dos adolescentes frente-a-frente. O segundo saca do bolso uma bola de ténis e lança-a ao outro, que maneja o bastão de modo para mim inaudito. Coloca-o na vertical, amortecendo a pancada da bola, que ressalta e bate uma vez no chão antes de chegar às mãos do remetente inicial. Jogam cricket, entre muros, e o terceiro observa-os. São todos asiáticos, paquistaneses ou indianos. Em volta, os adolescentes catalães usando roupas largas e penteados trendy saltam nos skates, jogam à bola contra a parede do fundo, alguns com camisolas de Ronaldinho, Deco, Eto'o, vestidas. Os asiáticos, passado algum tempo, desistem do passatempo. E juntam-se a um grupo, começam a chutar uma bola de futebol de pé para pé, com mais ou menos talento para o jogo.
Ao afastar-me preferi não dar demasiada importância ao hiato de tempo que transcorreu naqueles breves minutos de actividade desportiva. Primeiro, o jogo dos pais e dos avós, a herança deixada pelos colonos que ocuparam o país durante 400 anos. Depois, o jogo do país onde nasceram, ou do país que os adoptou, tanto faz para o caso, acolhendo no seu património genético a nova terra que se entranha.
A conversa de integração não faz sentido nesta história. Eu era apenas um turista a caminho de mais um museu, sem qualquer desculpa para estar ali, na margem da cidade que visito.
Hoje, o grande tema é mais uma ameaça terrorista. Há canais de televisão que dizem que os suspeitos são jovens britânicos islâmicos, provavelmente asiáticos, como os do atentado no metro londrino, quem sabe como os adolescentes que vi jogando cricket em Barcelona. Não há espaço para moral nesta história. Os caminhos de um Homem são quase sempre um insondável mistério.

(Texto antigo recuperado alguns dias depois do que aconteceu em Barcelona)

[Sérgio Lavos]

Supergrass


Moving [Susana]

23/01/08

Os outros

Curiosamente, apesar dos propalados baixos níveis de literacia do país, encontro mais gente arrogante que ignorante. Quando eu próprio era arrogante, achava toda a gente ignorante. Portanto, eu sei o que essa gente sente. E tenho pena. Do seu sofrimento. Emocional, social. Físico. Não sei se sabem, mas a arrogância provoca maleitas físicas, pequenas coisas preocupantes. E chatas. Aftas. Furúnculos. Hemorróidas. Talvez por isso, falar com gente assim causa-me pena. Leio-lhes o sofrimento na pele. O esgar subtil. A carantonha retesada. O nervo sináptico ligando o cu à boca, transportando os excessos cá para fora. A arrogância, desconfio, é uma doença. Com variados sintomas - os físicos, já expostos, e os psíquicos. Má educação é outro nome para este terrível flagelo que atravessa uma classe circunscrita da nossa sociedade; do sangue azul ao sangue vermelho reciclado, do nobre depauperado ao burguês enconado, do velho rico fascista ao novo rico malabarista. E, em casos avançados da doença, a loucura pode aparecer. Daquela galopante, senil, babada, raiada, balbuciada, mal-educada. Portanto, via sacra sofrida que esta gente pena. Da hemorróida à loucura, o passo é curto.
Os ignorantes divertem-me. E ensinam-me. Ensinam-me a humildade - eu confesso que me esforço para aprender. Vou aprendendo. Curando as aftas. Os furúnculos. (O resto nunca tive). Divertimento e sabedoria, uma tábua rasa pronta a receber todo o conhecimento do mundo - como não admirar a ignorância? Aprendemos mais do que ensinamos, e os arrogantes vão continuar a sofrer de achaques, a contorcer-se, a espumar de raiva, a empalidecer, a esticar o nariz até tocar no tecto, como focas, a modular a voz até se assemelhar a um trombone, uma longa nota, estridente e cava, que não tem maneira de acabar. Deixemos a purulência arrogante refastelar-se na sua própria bílis. Ganhar bolor. Apodrecer.
A ignorância é uma benção.

[Sérgio Lavos]

Cifra

Deus não é o meu co-piloto, foi recusado nuns testes que eu lhe fiz há vinte anos.
Quem acabou por perder o sono, pelo menos durante algum tempo, fui eu. Ele voltou para a sua vida eterna, dia após dia, até se esquecer dos dias, e eu nunca mais voltei a vê-lo. Mas, de vez em quando, ele manda-me cartas. Nunca mails. Cartas. Longas missivas? Nem pensem, por duas razões: quanto mais curta a mensagem, mais possibilidade tem de ser importante; e porque escrevendo "longa missiva" estaria a cair num lugar comum. As cartas recordam-me que ele ainda não me esqueceu. E isso deixa-me feliz. Mas, infelizmente, a angústia, usando as serenas vestes da insónia, continua a guardar o meu leito.
Na última carta, falava-me daqueles que morrem jovens. Gente da minha idade, pouco mais velha, pouco mais nova, gente, e é aqui que eu quero chegar, que podia ser eu. Ninguém lamenta o desaparecimento de um velho; quando muito, elogiamos a sua vida, se foi um modelo ou deixou obra, admiramos a pessoa que foi. A morte é uma doença irreversível. Mas se derrota um velho, reconhecemos justiça no mundo. Quando, no seu voo, a morte rapina alguém que teria muito mais tempo de vida, lamenta-se, e de verdade, sem falsos sentimentos. Mas não há qualquer altruísmo nisto: medo, sim. Muito medo. A morte do outro é um pesadelo para nós: sabemos que não é real, mas pode a qualquer momento suceder. O pesadelo transformado em realidade.
Enquanto escrevia estas palavras, Deus tinha colocado o seu ar grave, sério. Falava verdade, e a nossa verdade (humana) dita pelo próprio Deus que alimentamos é um peso insuportável, não há verdade mais clara e mais certa. Eu reconquistei o sono, quando esqueci a recusa de Deus em ser o meu co-piloto (mas fui eu que recusei, não esquecer, fui eu - o espinho cravado). O tempo apaga tudo, mesmo oportunidades perdidas de negócio, parcerias para a vida. Neste momento, ou readmito Deus ao meu serviço, ou terei de pedir que deixe de me escrever cartas. Fale por sinais de fumo. Se mantenha calado, no seu retiro de mim. A verdade tem um rosto que eu não quero conhecer.

[Sérgio Lavos]

21/01/08

Estereótipos?

Caro Bruno,

pois é precisamente aquilo que dizes ser diferente no pensamento de Judith Butler que me leva a afirmar que ela nunca sai do círculo vicioso dos géneros. Simplesmente questiono se será sensato combater a hegemonia da norma heterossexual (recuso colocar entre parêntesis o termo heterossexista porque este pressupõe um preconceito em relação à heterossexualidade), deslocando comportamentos sexuais que se fundam nas diferenças de género de um sexo para o outro - as gloriosas descrições que Butler faz dos rituais transgender não revolucionam, não derrubam estereótipos. A forma de luta que Butler escolheu para combater a hegemonia heterossexual passa pela afirmação do óbvio: que existem comportamentos associados ao sexo masculino e ao sexo feminino a que o ser humano nunca conseguirá escapar. Trocar as voltas às coisas, mudar as cadeiras de sítio, não elimina os hábitos de séculos, milénios. A terceira via não é coisa que interesse a Butler; um terceiro sexo que sublimasse os "constragimentos constitutivos" não é possível, se acreditarmos que sexo e género estão imbricados à nascença. Neste ponto, se aceitarmos o que Butler diz, o que será mais razoável: o combate pelo direito de perpetuar estes constragimentos culturais e biológicos, ou um que aceite as diferenças de sexo abolindo as diferenças de género? No fundo, aceitar que uma mulher possa ser feminina tendo o mesmo poder que um homem, ou um homem ser masculino sem que, por isso, se possa colocar a si próprio num patamar superior à mulher?

[Sérgio Lavos]

Gato escondido

Comecei a ler um livro de um escritor português muito conhecido e traduzido. Leio por obrigação, mas admiti que podia, lendo, mudar de ideias a respeito do escritor. Duvido que mude de opinião. O monólogo interior depois de James Joyce está ao alcance de qualquer estudante de literatura que saiba escrever, portanto inspira piedade ver um escritor que visivelmente ignora as suas limitações praticá-lo sem parar e por vezes em frases mal escritas - para acumular banalidades sem interesse. Misturar dois ou três fios de intriga, não respeitar as regras tradicionais de pontuação só seria interessante se o assunto em si, o assunto do livro, fosse interessante. Não é interessante, é uma estopada. Histórias de famílias burguesas nem contadas para as caricaturar têm já qualquer interesse, prova-o o escritor. A burguesia portuguesa nunca teve qualquer interesse. Quem escreve sobre ela assim também não.

Quem será? Resposta aqui.

[Sérgio Lavos]

20/01/08

Expiação

Não sei se é apenas impressão, mas todas as críticas ao filme Expiação escamoteiam o facto de este adaptar o melhor romance desta década, o melhor de um dos melhores escritores actuais, Ian McEwan. Desconfio mesmo que a maior parte dos críticos não leram o livro, e por isso insistem em afirmar banalidades sobre a qualidade romanesca da história (alguém sabe o que isso é?) ou tecer loas ao estilismo romântico de Joe Wright (isto é nome de cineasta?!).
Vamos lá ver bem as coisas como elas são: a partir de um romance cujo tema é a criação, o próprio acto de escrita (um acto de amor), seria impossível produzir um filme que estivesse à altura do material original. A transcrição da história não seria suficiente para reproduzir todas as nuances da linguagem de McEwan, os diversos planos narrativos, as citações a outros autores, a perspectiva metaficcional a que McEwan se propõe. Se um romance nunca é a história que conta, pode muitas vezes parecê-lo (por isso, Hitchcock soube aproveitar obras menores e transformá-las em obras-primas do cinema). Mas em McEwan a linguagem não é um espartilho para a história; é o impulso para as diversas peripécias, o sopro que insufla as personagens.
E o que significa isto, quando transposto o portal que separa o mundo da literatura (composto de imagens que nascem no momento em que as palavras são lidas) do mundo do cinema (em que as imagens são oferecidas ao espectador, cerceando a imaginação a que um leitor é forçado)? Bom cinema, no caso de Joe Wright. As imagens que vemos são novas, e não porque o realizador se tenha afastado do enredo original; antes ilustrou, mas fê-lo de uma forma que não renunciou a um pensamento original, a boas ideias para solucionar os problemas colocados, no fundo a uma ideia de cinema. Os exemplos estão lá, para quem os quiser ver: o brilhante plano-sequência em Dunquerque (há quem tenha referido Kubrick, eu, exagerando, lembrei-me de A Sede do Mal, de Welles); os flashbacks inseridos cirurgicamente, sem que se perceba de imediato, criando uma ilusão de continuidade temporal, dois tempos diferentes que se fundem num só; a solução encontrada para mostrar o fundamento da história: o engano criminoso de Briony. A cena filmada através da janela, pelos olhos de Briony, e depois no exterior, do ponto de vista de Cecilia e Robbie. As fraquezas? Os actores principais, o inócuo James McAvoy e a sobrevalorizada (como actriz e mulher) Keira Knightley.
Expiação
podia ser mesmo um épico romanesco tão marcante como O Paciente Inglês (não por acaso, Anthony Minghela aparece como actor neste filme, entrevistando na cena final uma Vanessa Redgrave a fazer de Briony envelhecida), se o cast tivesse sido diferente (penso em Rachel Weisz e Christian Bale, por exemplo). Descontando isto, e um ou outro pormenor desnecessário (a banda-sonora a intrometer-se nas imagens, as cabeças cortadas em alguns enquadramentos), acaba por ser um bom filme, que merece o esforço que possa fazer para gostar dele - foi assim que comecei a admirar O Paciente Inglês e O Fiel Jardineiro, não seria coisa nova.
Querer que os críticos leiam o romance de McEwan é esperar muito. Que diminuam o filme, colocando-o na extensa prateleira das adaptações literárias de época, não se entende. Não se pretendia originalidade. Apenas alguma fidelidade ao espírito da obra adaptada. E a melhor maneira de conseguir isso é filmar bem, com mão virtuosa. Joe Wright, se não o consegue totalmente, fica muito perto. Seria difícil melhor. (Barry Lindon é um caso à parte).

[Sérgio Lavos]

Simone, a escandalosa

Na semana passado, um grupo de feministas protestou em frente à redacção da revista Nouvel Observateur por esta ter publicado uma foto desconhecida de Simone de Beauvoir nua, de costas, mirando-se no espelho. Não reclamo do facto de esta revista ter desfeito a imagem que eu tinha da feminista francesa: uma mulher séria, que seriamente lutou para que as mulheres tivessem os mesmos direitos que os homens. Poderá uma feminista séria deixar-se fotografar em discreta pose sensual, vaidosa e bela? Aparentemente, não. As mulheres que protestaram assim o pensam. Mesmo que a fografia se tivesse mantido secreta durante 50 anos e tivesse sido publicada mais de vinte anos depois da morte de Beauvoir. As mulheres que protestaram pediam fotos do rabo de Jean-Paul Sartre (sempre gostei mais de Jean-Saul Partre), das espaldas de Lévinas, do torso de Albert Camus. Descontando o facto de não perceber por que razão uma mulher inteligente poderá querer olhar para Jean-Paul Sartre nu, aplaudo a iniciativa. A filosofia não pode ser apenas a constituição de um corpo de ideias coerente e sistemático; é preciso mais carne, outro corpo material, nesta disciplina em vias de esquecimento. As inconsistências do pensamento filosófico de Beauvoir são reduzidas ao seu valor mínimo se estiver em causa um sexismo evidente por parte dos editores da Nouvel Observateur. Beauvoir vestida é filósofa? Não sei, mas, pelos vistos, despida passa a ser.
A afirmação da ideia de mulher enquanto conceito cultural, a maior contribuição de Beauvoir para o feminismo (o que vale isto perante a luta das sufragistas, não é?), não pode ser compatível com a maior conquista do feminismo, desde o seu aparecimento: a liberdade sexual da mulher, em qualquer circunstância. Pelo menos, na boca de muitas da seguidoras do pensamento da filósofa. É este o meu maior problema com o feminismo: transformar mulheres sensatas, inteligentes, em puritanas ainda mais puritanas que as mulheres no tempo da rainha Vitória. Mulheres que nunca irão perceber como o pensamento de Camille Paglia é libertador (e libertário) e o de Judith Butler apenas perpetua estereótipos (as chamadas diferenças de género) e justifica a marginalidade de comportamentos sexuais anómalos, que visam imitar e repetir estes estereótipos, contra os quais Simone de Beauvoir lutou.
Longa vida a Simone de Beauvoir, vestida ou despida, na intimidade ou nos livros - e a simetria das duas enumerações é propositada; nada pode ser mais erótico do que uma mulher que pensa. O pensamento como motivo de escândalo. Um pecado.

[Sérgio Lavos]

15/01/08

Ainda a crítica (2)

Declaro que eu deixei de gostar de polémicas. Já escrevi sobre isso, não me vou repetir. Não gosto de polémicas porque é difícil convencer quem já está convencido. A discussão não é o melhor meio para a razão; não quando o interlocutor ou não quer ouvir os argumentos do outro ou quer ouvir o que o outro não disse. Não quero entrar em polémicas, porque qualquer bom argumento tem de ser afirmado de uma forma séria. E eu não sou sério. Tenho tendência para achar sempre o lado lúdico de um argumento furioso. Racionalizo a irracionalidade do oponente. E psicanalizo a resposta. Eu sei, quando me dizem algo, o que está por trás do que dizem. E também posso afirmar que nada do que eu digo é racional - tudo existe em função de variantes nada objectivas - o meu crescimento, a formação da minha personalidade. É que a constituição de um gosto não é um processo inocente. Toda a minha vida passa pelos olhos quando escrevo: prefiro a maneira anglo-saxónica de fazer crítica literária ao priapismo crítico português, todo ele forma, herdeiro bastardo de um barroco nunca ultrapassado. O problema é meu, passei os anos de formação a ler autores ingleses e norte-americanos, a tentar esquecer os francesismos que, durante séculos, se foram incrustando na literatura portuguesa. Os maus francesismos, claro, porque os bons ninguém imita (continuam a preferir os delírios poéticos de uma Duras à nova língua inventada por Céline ou Julien Gracq, mas enfim). Não serve de desculpa a má-formação que me foi dada. Mas explica a elegância de achar que nada pode justificar a insistência num ponto que nunca será de acordo, e que, para cúmulo, se funda num equívoco.
Gosto de ver o José Mário Silva a concordar com um amigo. E gosto de ver que estamos os três de acordo: acho Manuel Gusmão um dos melhores poetas aparecidos na última década, admiro os seus ensaios e leio sempre os seus textos para o Ipsilon. A questão não era essa; era saber até que ponto o grupo a que Francisco Frazão gostaria de pertencer não poderia ser alargado a mais gente. O tom ensaístico que Gusmão exibe nas suas recensões é de uma lucidez impressionante (mas, confesso, pouco cativante em termos de estilo, ao contrário, por exemplo, de Joaquim Manuel Magalhães ou António Guerreiro). Mas importa que o leitor menos exigente perceba o que o crítico quer dizer. Utilizar termos que vêm da teoria literária em textos publicados num jornal não me parece ser a melhor forma de cativar leitores para a leitura de textos muitas vezes menos densos que o texto que deles fala. Eu percebo que Manuel Gusmão escreva assim; é esse o seu treino, é essa a sua formação. Mas será o espaço apertado (cada vez mais) de uma recensão de jornal o local certo para fazer análise literária? Dúvidas, confesso, dúvidas, e Francisco Frazão não as elucida ao comparar Pedro Mexia a Manuel Gusmão. Percebe-se à distância que a formação e a intenção de Pedro Mexia, enquanto crítico literário, é oposta à de Manuel Gusmão. Menos exigente? De modo algum, apenas mais claro, menos interessado em utilizar o jargão académico aprendido nos cursos de literatura.
Mas admito que tudo isto seja subjectivo. Como também sei que nenhum potencial futuro leitor se perde na floresta barroca que enfeita a crítica produzida por Manuel Gusmão. Que interesse poderá ter escrever apenas para o salão de medíocres? Eu respondo: todo, cada um é livre de escrever para quem quiser. Mas, por favor, evitem justificar o elitismo com a ignorância dos que não pertencem ao grupo.

[Sérgio Lavos]