10/08/12

Darwin explicado aos cinéfilos

Clint Eastwood

Se eu não gostasse tanto de Clint Eastwood, talvez... reformulemos: se eu não gostasse de Clint Eastwood, certamente que agora teria uma excelente razão para não gostar. Apoiar Mitt Romney poderia ser, como escreve o Rui Bebiano, imperdoável. Acontece que gostar de Clint Eastwood, sem obrigar a que eu suspenda os meus valores éticos - que são relativamente absolutos, ou absolutos do meu ponto de vista, porque são eles que moldam o modo como vejo o mundo -, leva a que seja praticamente impossível julgá-lo. Este "gostar" não é apenas gostar; é achar que o sacana comove-me tanto, mas tanto, por fazer tão bem cinema e falar do que é ser humano e todas essas tretas que nos fazem gostar de filmes, que se torna impossível não gostar dele, alguém que parece existir para tornar a nossa vida mais suportável. E caramba, Clint não é um nazi anti-semita como Céline ou um fascista como Ezra Pound. É um republicano fiel, como o foram John Wayne ou John Ford (a  partir de certa altura da sua vida) ou Jimmy Stewart. Nada de mais, não consigo gostar menos destes - e de Clint - por terem sido o que foram. Relativizemos, pois então. 

07/08/12

Separados à nascença

Neil Young vs David Foster Wallace.

Edições DOCUMENTA

Não são muitas as vezes em que os marginais passam a perna às leis do mercado, por isso é de assinalar quando isso acontece.
A Assírio & Alvim (a marca e o catálogo) foi comprada pelo grupo Porto Editora, mas passado pouco tempo surgiu o projecto que acaba por ser a Assírio com outro nome, as Edições Documenta, constituída por quatro chancelas: a Sistema Solar, que publica ficção, a Documenta, dedicada ao ensaio e às artes plásticas, a Pedra Angular (uma marca antiga trazida há algum tempo para este novo grupo editorial), devotada à religião, com o dedo do poeta José Tolentino Mendonça, e os livros de bolso da BI, que tinha começado por ser uma parceria entre três editoras de referência: a Assírio, a Relógio d'Água e a Cotovia. 
Os primeiros títulos publicados mostram a mesma exigência de sempre: boas traduções, grafismo exemplar (próximo da Assírio) e um critério editorial inatacável: os livros escolhidos e apresentados pelo tradutor Aníbal Fernandes são o melhor exemplo deste critério.
Entretanto, a antiga Assírio vai-se perdendo na enxurrada de novidades do grupo a que pertence, nada de novo sai, os livros esgotam sem previsão de reedição. Na prática, já desapareceu a Assírio, tal como tinha previsto aqui. Longa vida à Documenta e a quem continua a fazer da edição um prazer e motivo de alegria; mais, muito mais, do que um negócio.

06/08/12

Marilyn

Se Marilyn Monroe não tivesse morrido há cinquenta anos, não seria Marilyn, a Marilyn de Ruy Belo, do mundo. Viveremos a sua beleza para sempre, sem a mancha da velhice ou o desgosto do lento desvanecimento. Poderia haver pior destino do que o dela.

28/07/12

Mother, summer, I

My mother, who hates thunderstorms,
Holds up each summer day and shakes
It out suspiciously, lest swarms
Of grape-dark clouds are lurking there;
But when the August weather breaks
And rains begin, and brittle frost
Sharpens the bird-abandoned air,
Her worried summer look is lost.

And I her son, though summer-born
And summer-loving, none the less
Am easier when the leaves are gone;
Too often summer days appear
Emblems of perfect happiness
I can't confront: I must await
A time less bold, less rich, less clear:
An autumn more appropriate.


Phillip Larkin

25/07/12

A ilha de Caribou

Um espaço confinado. Clima extremo. Um casamento perdido. Escrever com uma navalha no bolso e o coração na garganta. The great alaskan novel.