10/10/11
09/10/11
Este não é o verso
Não nos ensinaram a perder.
Tanto tempo passado e os mesmos pulhas
lixam-nos a vida, e não é a mãe, não é o pai -
são os pulhas lá fora que nos tramam,
à nossa vulgaridade burguesa,
a necessidade de controlar o tédio,
de pertencer a um mundo tão fragmentado
que nenhuma imagem o poderá remendar.
E perdemos amigos verdadeiros
para ganharmos amigos que nunca iremos conhecer;
perder, perder, perder,
antes de naufragarmos na velhice
e então esquecer a sério os amigos que perdemos,
e a memória dos amores que não iremos recuperar.
Lixam-nos a vida com a permissividade que
nos leva a sentir menos o sofrimento dos outros,
e nós deixamo-nos lixar, felizes
na nossa pacífica derrota, isolados num mundo a que
dizemos não pertencer - mas como pertencemos!
Tudo o que nos ensinaram foi
a saber como ganhar; todas as lições erradas,
e agora submetemos os nossos filhos
à mesma dança envenenada, o testamento
deixado a uma vida que não espera,
porque nada tem a perder.
Ensinaram-nos todas as coisas erradas; e é tão
inútil, a alegria de aqui estar.
Tanto tempo passado e os mesmos pulhas
lixam-nos a vida, e não é a mãe, não é o pai -
são os pulhas lá fora que nos tramam,
à nossa vulgaridade burguesa,
a necessidade de controlar o tédio,
de pertencer a um mundo tão fragmentado
que nenhuma imagem o poderá remendar.
E perdemos amigos verdadeiros
para ganharmos amigos que nunca iremos conhecer;
perder, perder, perder,
antes de naufragarmos na velhice
e então esquecer a sério os amigos que perdemos,
e a memória dos amores que não iremos recuperar.
Lixam-nos a vida com a permissividade que
nos leva a sentir menos o sofrimento dos outros,
e nós deixamo-nos lixar, felizes
na nossa pacífica derrota, isolados num mundo a que
dizemos não pertencer - mas como pertencemos!
Tudo o que nos ensinaram foi
a saber como ganhar; todas as lições erradas,
e agora submetemos os nossos filhos
à mesma dança envenenada, o testamento
deixado a uma vida que não espera,
porque nada tem a perder.
Ensinaram-nos todas as coisas erradas; e é tão
inútil, a alegria de aqui estar.
08/10/11
06/10/11
Ulysses (3)
Como ser popular sem deixar de ser erudito? Como retratar a alma de uma cidade e dos seus habitantes, de todas as classes e proveniências, criando uma obra de arte que transcende de algum modo tudo o que foi feito antes? Como soar a Pogues nunca abandonando o caminho da epopeia de inspiração homérica? Uma viagem em circuito fechado, urbana, que tem a respiração de uma longa jornada de regresso de casa, marítima.
Tomas Tranströmer
Não correu como eu desejaria, mas não deixa de ser uma boa surpresa.
LISBOA
No bairro de Alfama os eléctricos amarelos cantavam nas
subidas.
Havia duas prisões. Uma delas era para os gatunos.
Eles acenavam através das grades.
Eles gritavam. Eles queriam ser fotografados!
"Mas aqui", dizia o revisor e ria baixinho, maliciosamente,
"aqui sentam-se os políticos". Eu vi a fachada, a fachada, a fachada
e em cima, a uma janela, um homem,
com um binóculo à frente dos olhos, espreitando
para além do mar.
A roupa pendia no azul. Os muros estavam quentes.
As moscas liam cartas microscópicas.
Seis anos mais tarde, perguntei a uma dama de Lisboa:
Isto é real, ou fui eu que sonhei?
(Tradução de Luís Costa, encontrado aqui.)
LISBOA
No bairro de Alfama os eléctricos amarelos cantavam nas
subidas.
Havia duas prisões. Uma delas era para os gatunos.
Eles acenavam através das grades.
Eles gritavam. Eles queriam ser fotografados!
"Mas aqui", dizia o revisor e ria baixinho, maliciosamente,
"aqui sentam-se os políticos". Eu vi a fachada, a fachada, a fachada
e em cima, a uma janela, um homem,
com um binóculo à frente dos olhos, espreitando
para além do mar.
A roupa pendia no azul. Os muros estavam quentes.
As moscas liam cartas microscópicas.
Seis anos mais tarde, perguntei a uma dama de Lisboa:
Isto é real, ou fui eu que sonhei?
(Tradução de Luís Costa, encontrado aqui.)
05/10/11
04/10/11
Stereolab
Os Stereolab são uma daquelas bandas tão elegantes que nada vão perdendo com o passar do tempo. Pop de luxo, com a voz maravilhosa de Laetitia Sadier planando sobre sintetizadores alienígenas e violinos melancólicos. Uma combinação que comove o coração, de tão perfeita. E o vídeo é excelente, inspirado em Jean Cocteau. Não queria que o que eu vou escrever a seguir soasse mal, mas... já não se faz música assim; beleza pura.
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