08/10/11
06/10/11
Ulysses (3)
Como ser popular sem deixar de ser erudito? Como retratar a alma de uma cidade e dos seus habitantes, de todas as classes e proveniências, criando uma obra de arte que transcende de algum modo tudo o que foi feito antes? Como soar a Pogues nunca abandonando o caminho da epopeia de inspiração homérica? Uma viagem em circuito fechado, urbana, que tem a respiração de uma longa jornada de regresso de casa, marítima.
Tomas Tranströmer
Não correu como eu desejaria, mas não deixa de ser uma boa surpresa.
LISBOA
No bairro de Alfama os eléctricos amarelos cantavam nas
subidas.
Havia duas prisões. Uma delas era para os gatunos.
Eles acenavam através das grades.
Eles gritavam. Eles queriam ser fotografados!
"Mas aqui", dizia o revisor e ria baixinho, maliciosamente,
"aqui sentam-se os políticos". Eu vi a fachada, a fachada, a fachada
e em cima, a uma janela, um homem,
com um binóculo à frente dos olhos, espreitando
para além do mar.
A roupa pendia no azul. Os muros estavam quentes.
As moscas liam cartas microscópicas.
Seis anos mais tarde, perguntei a uma dama de Lisboa:
Isto é real, ou fui eu que sonhei?
(Tradução de Luís Costa, encontrado aqui.)
LISBOA
No bairro de Alfama os eléctricos amarelos cantavam nas
subidas.
Havia duas prisões. Uma delas era para os gatunos.
Eles acenavam através das grades.
Eles gritavam. Eles queriam ser fotografados!
"Mas aqui", dizia o revisor e ria baixinho, maliciosamente,
"aqui sentam-se os políticos". Eu vi a fachada, a fachada, a fachada
e em cima, a uma janela, um homem,
com um binóculo à frente dos olhos, espreitando
para além do mar.
A roupa pendia no azul. Os muros estavam quentes.
As moscas liam cartas microscópicas.
Seis anos mais tarde, perguntei a uma dama de Lisboa:
Isto é real, ou fui eu que sonhei?
(Tradução de Luís Costa, encontrado aqui.)
05/10/11
04/10/11
Stereolab
Os Stereolab são uma daquelas bandas tão elegantes que nada vão perdendo com o passar do tempo. Pop de luxo, com a voz maravilhosa de Laetitia Sadier planando sobre sintetizadores alienígenas e violinos melancólicos. Uma combinação que comove o coração, de tão perfeita. E o vídeo é excelente, inspirado em Jean Cocteau. Não queria que o que eu vou escrever a seguir soasse mal, mas... já não se faz música assim; beleza pura.
Ulysses (2)
In long lassoes from the Cock lake the water flowed full, covering greengoldenly lagoons of sand, raising, flowing. My ashplant will float away. I shall wait. No, they will pass on, passing chafing against the low rocks, swirling, passing. Better get this job over quick. Listen: a four-worded wave-speech: seesoo, hrss, rsseeiss, ooos. Vehement breath of waters amid seasnakes, rearing horses, rocks. In cups of rocks it slops: flop, slop, slap: bounded in barrels. And, spent, its speech ceases. It flows purling, widely flowing, floating foampool, flower unfurling.
Pág. 45, ed. Wordsworth.
03/10/11
Ulysses
Falando de pretensão: David Lodge sugeriu-me a leitura de Ulysses. Não sou de ouvir vozes, mas acontece - e nesses momentos, tenho de obedecer, qual seguidor de Charles Manson em busca de celebridades ricas.
Primeira tentativa. Conheço - conheci, em tempos - quem tenha tentado várias vezes sem êxito. Mas eu tenho uma estratégia (que, se tudo correr bem, vou sabotar): ler um determinado número de páginas por dia, mantendo a média ao fim da semana. Fácil. E tem sido como entrar num labirinto. De frases sublimes, de alusões incompreensíveis, de espelhos que reflectem sombras vagas. Curioso é ter-me deparado com poucas palavras que não conheça. Alguns vocábulos irlandeses, é certo, dos quais um ou outro familiares (demasiados filmes com irlandeses e os Dubliners também ajudam). Citações em latim de que se depreende o sentido. Referências clássicas fáceis de detectar por quem não tenha passado metade da vida a brincar com jogos de computador (mas, esperem, eu passei). E aquela imersão na consciência das personagens que deixa qualquer um ligeiramente aturdido; pela destreza na passagem do discurso indirecto simples para o livre e daí para a stream of consciousness, na primeira pessoa. Orgânico parece ser o adjectivo que costuma ser usado, nestas ocasiões. Uma máquina de escrever orgânica. Pode ser.
Subscrever:
Mensagens (Atom)



