Está tão próxima, a vontade da capacidade, que apenas aceitamos a primeira na condição da segunda existir.
11/03/11
Condição
A possibilidade da literatura ser verdadeira depende da nossa capacidade de acreditarmos nela.
10/03/11
Tudo muda
Fiz uma pausa, que se deveu sobretudo a razões. Parei de ler a aventura do editor Riba, que ainda andava às voltas com a imaginária viagem a Dublin. O livrinho que se intrometeu é uma brincadeira séria, a tal pausa. Entre ziguezagues e reviravoltas, algumas imagens. E Vila-Matas ainda esperando, porque sim. Ficam uns versos:
Well existence what does it matter
I exist in the best terms I can
The past is now part of my future
The present is well out of hand
09/03/11
04/03/11
Blue Valentine
A maior parte das vezes, o melhor cinema americano não vem de Hollywood.
(Ou se vem, vem de uma off-Hollywood, de que os irmãos produtores Weinstein são um dos melhores exemplos).
27/02/11
25/02/11
Ritmos
Há muitos romances que começam com um ímpeto que se vai esbatendo lentamente, até que comecemos a duvidar da primeira impressão que tivemos. Não sei bem se a razão terá a ver com o investimento que o escritor faz nessas primeiras palavras ou com o entusiasmo de leitor que enfrenta uma nova leitura. Suspeito que será um pouco das duas coisas. Mas poderá haver uma terceira razão: o ritmo de um livro varia, em alguns casos, bastante, e a verdade é que o esmorecimento passadas algumas páginas pode ser passageiro. E quantos são os livros lidos que deixam uma marca indelével como resultado de um final imparável, demolidor? Nenhuma leitura é absoluta, e portanto nenhum juízo crítico deverá ser definitivo. Mas há quem não entenda isso.
23/02/11
Ligações
Também leio Dublinesca esperando encontrar o capítulo recusado a Carlos Vaz Marques por Enrique Vila-Matas para servir de prefácio a Nova Iorque, o livro do irlandês Brendan Behan. O editor Samuel Riba é alcoólico, é-nos dito logo nas primeiras páginas, e Vila-Matas, como explica Vaz Marques na apresentação do livro de Behan, escrevera uma crónica sobre este que queria usar no seu próximo livro, e por isso não a emprestava. E o livro é este. O cruzamento de leituras resulta de um simples acaso. Comecei a ler hoje Vila-Matas porque tinha pela frente uma hora de almoço solitária. Behan anda na minha mochila, e está quase a terminar. Muito ritmo de escrita, vontade de contar histórias, conversas de bêbedos, coloridas descrições das pessoas que passam por Nova Iorque. Nenhum rasgo - mas já me convenci de que por vezes vale a pena ler coisas menores para que o deslumbre da grande literatura seja mais marcante, como um clarão de que ainda se vê um rasto no passado.
Joyce também há-de morar nesta casa
Há muito tempo - desde Filhos Sem Filhos - que não lia um romance - no sentido mais clássico do termo - de Vila-Matas. É uma obra de ficção, sim; como têm sido os anteriores livros, claro, mas há personagens imaginadas e não simples duplos do escritor, ou, de forma mais rigorosa, duplos do narrador, de qualquer modo quase sempre ele próprio duplo do escritor. O editor Samuel Riba, os pais, oscilando entre simples figuras justificativas e um esquisso de personagem tipo, e Celia, sombra vigilante da premente loucura. Um sopro de novidade, o mesmo prazer na leitura. Darei notícias.
Subscrever:
Mensagens (Atom)



