04/10/10

Always mind the classics

Folds of scarlett drapery shut in my view to the right hand; to the left were the clear panes of glass, protecting, but not separating me from the drear November day. At intervals, while turning over the leaves of my book, I studied the aspect of that winter afternoon. Afar, it offered a pale blank of mist and cloud; near a scene of wet lawn and storm-beat shrub, with ceaseless rain sweeping away wildly before a long and lamentable blast.

Jane Eyre, Charlotte Brontë

Repare-se no uso do ponto e vírgula. Ou como respirar depois de mais uma tentativa com uma das novidades da rentrée. Deus as tenha em grande conta; que eu não.

27/09/10

Doutor Avalanche

Gosto muito das histórias do Rui Manuel Amaral. Tanto, a ponto de achar que elas não mereciam esta sinopse (ou a sinopse não as merece, tanto faz) - mais um termo da "modernidade" livresca que é saudável desprezar - numa livraria on-line. Seria tão bom se os autores decentes pudessem dispensar as idiotices de que a publicidade se lembra. Um livro não é um pacote de massas. Ponto.

Noite

Coração.

Nirvana


Agora que já tenho idade, e portanto juízo, suficiente para julgar os Nirvana pela qualidade musical, e valorizar esse lado da banda mais do que a simbologia que lhe está associada, lembro-me de um tempo em que a música pouco tinha a ver com grandes músicos, refrões marcantes ou riffs de bateria irrepreensíveis. Quando gostava de música sem saber muito bem porquê, sem conhecer o suficiente nem ter lido uns quantos livros sobre a razão de gostar. Nirvana foi música em estado puro, sem racionalização absurda ou relativizações imbecis e redutoras. Tenho saudade disso. Da pureza e da descoberta, a sequência perfeita desse meio termo romântico entre o fim da adolescência e o princípio da idade adulta. Espero que os putos de agora ainda saibam sentir isso.  Acima de tudo, procurar.

23/09/10

O escritor popular

O escritor popular é um escritor sob suspeita. Mais ainda quando o escritor popular consegue ser popular e alegrar as franjas certas, os fraques e as cartolas, os carros alegóricos, a dançar. O escritor popular, quando se lança, tem sempre alguém a amparar - e leva as luzes e os microfones, a bailar, num estrépito de carrossel e música. Mas escreve. E sua. Dança e lança, luminoso escritor popular, amado pelos leitores, a jóia precária da saison. Coitado do escritor popular, em permanente andança e cagança, cedendo à solicitação de ocasião, ao cumprimento, à vénia. Sorriso e salamaleque, boa presença. E a literatura, o que será dela? Dispensável. Nada que um bom vinho não possa disfarçar. E um livro é apenas um conjunto de páginas agrafadas, ao qual se cola um determinado preço. Minudências. As tripas, o coração e a cabeça oferendas na bandeja, excrescências.