Cresci a ver os programas de animação apresentados por Vasco Granja; os Looney Tunes, os desenhos de leste (onde é que era a Checoslováquia? como poderia conhecer esse país que apenas existia porque um apresentador de um programa de televisão me falava dele?), o Bugs Bunny, claro, e o Beep-Beep e o Coiote, provavelmente o meu preferido; marcou-me tanto que, há uns anos, encontrei Vasco Granja por acaso no King e quase o abracei, em emocionado agradecimento (acabei por não o fazer).
Havia um desenho animado canadiano - ganhara um prémio qualquer que me é impossível de precisar - que me marcou bastante, ao ponto de 25 anos depois ainda me lembrar dele: uma fileira interminável de homens numa planície; todos iguais, andando um passo em frente de tanto em tanto tempo; todos iguais, excepto um, que tudo fazia para evitar dar esse passo em frente quando chegava a sua vez. Avanço até ao fim: à beira de um precipício, percebe-se que o passo em frente desemboca no vazio de uma queda. Quando chega a vez do homem, ele tudo faz para evitar cair. Mas cai.
Para sempre, Vasco Granja.

