15/03/09

Eagles



of Death Metal.


Alternar a corrente

But because solitude dwells proximally and for the most part in the deficient or at least Indifferent modes (in the indifference of passing one another by), the kind of knowing-oneself which is essential and closest, demands that one become acquainted with oneself.

A quinta frase completa de Being and Time, de Martin Heidegger (ed. Blackwell, 2000), mas em vez de ter pegado neste poderia ter procurado a quinta frase do outro livro que deveria estar a ler, a biografia do Tom Cruise que o Pedro Mexia aconselhou na última Ler ou aquele da semana para mudar a vida, que para ser livro basta ter páginas e coisas lá escritas, e que a filosofia sirva para auto-ajuda não é de modo algum um pormenor despiciendo, e como de qualquer maneira as correntes são para serem prosseguidas, a minha resposta ao desafio do Pedro Vieira foi dada. Ah, a frase tem uma nota de rodapé indexada, e se receber mais de 10 mails a pedir que a publique, assim o farei, e isso será um ganho evidente em entendimento da mesma em geral, e da vida em particular. Quanto a continuações, ainda estou à espera que o Rogério Casanova continue uma corrente que lhe passei (como uma doença) há mais que muito tempo, portanto cá vai outra para ele não continuar. O Lourenço terá já respondido a isto? O Pedro Duarte Bento também, e o Ouriquense, que se tem dedicado a trair o espírito do blogue. E gostava de saber o que José Saramago anda a ler agora; pode ser?

[Sérgio Lavos]

03/03/09

O estado das coisas

Migrei do blogue para o twitter, mas depressa me cansei; apenas a necessidade exige perseverança e força de carácter. Nada existe de útil nesta actividade que explique o facto de nela insistir. Por vezes penso que será uma questão de movimento: o mesmo que neste momento impele as frases que escrevo, uma coisa leva a outra, e por aí fora. Esta inutilidade facilmente se pode transformar num vício; mas quase sempre se torna cansativa. Não sabemos viver da inutilidade como não poderíamos viver do vício; o meio termo é achar que o movimento faz alguma diferença no estado das coisas. 
A conversa improfícua serve sobretudo para me lembrar que este blogue começou há 3 anos. Parece que a blogosfera se tornou menos importante do que era, um antro demoníaco de maldade e corrupção, uma razão mais para achar que o país não tem conserto. As razões dos outros apenas ajudam a perceber as suas próprias psicoses e manias; nada dizem porque o movimento continua, e não sabemos onde pára. Nenhum sinal de pontuação determina o tempo.

[Sérgio Lavos]

27/02/09

A dúvida

Quentin Tarantino, em Death Proof, compõe um requiem aos duplos, heróis em vias de extinção num tempo de efeitos especiais digitais, sem sangue nem graça. Há-de chegar o dia em que até as pernas e outras partes de belo efeito das actrizes que se expõem como vieram ao mundo serão pixels projectados na tela, e nessa altura haveremos de suspirar pelo corpo de Shelley Michelle em Pretty Woman, o resto acrescentado à cabeça de Julia Roberts no poster do filme (pelo menos, a carne era original). E este parece ser um hábito que regressou, a julgar pela número de circo prosseguido em The Curious Case of Benjamin Button, recorrendo apenas a um computador e ao rosto da metade mais inteligente do casal Brangelina. 

Esse tempo chegará, e por enquanto ficamos na dúvida em relação àquilo que nos é oferecido; terá sido Kate Winslet dobrada na cena de onde foi retirado o frame que postei mais abaixo? Aquele magnífico fio escuro, desfocado e visto apenas durante alguns brevíssimos segundos, por entre a rapidez elegante de uma meia sendo puxada coxa acima, é um fantasma real, de alguém cujo rosto julgamos conhecer, ou uma sombra de uma sombra, duplo em que acreditamos porque o cinema a isso nos obriga? O cruzar de pernas de Sharon Stone terá feito sonhar alguns, mas a dúvida, essencial nestes processos, estava ausente da fantasia: era mesmo ela que ali estava, nenhum truque de câmara ou de montagem tenta sequer esconder o facto. Mas Winslet, seria ela, alguém por ela? Qual é a resposta que queremos? Qual a pergunta?

[Sérgio Lavos]

26/02/09

Winslet

Agradeçamos ao Senhor ter concedido a Nicole Kidman o dom da maternidade na altura em que O Leitor deveria começar a ser filmado. Sem ela não teríamos Kate Winslet. E o mundo seria um pior lugar para se viver.

[Sérgio Lavos]

Vento (2)

[Sérgio Lavos]